Quem tem prótese de silicone consegue fazer mamografia? A prótese atrapalha detectar câncer?

Juan Montano • 7 de julho de 2026

Quem tem prótese de silicone consegue fazer mamografia? A prótese atrapalha detectar câncer?

Sim. Mulheres com próteses de silicone devem continuar realizando mamografia quando indicada. A prótese pode esconder parte do tecido mamário nas imagens convencionais, mas técnicas específicas de mamografia, como as incidências com deslocamento do implante, permitem visualizar muito melhor a mama e aumentam significativamente a capacidade de detectar alterações suspeitas. O mais importante é informar ao serviço de imagem que você possui implantes antes do exame.


Se a prótese atrapalha o exame, a mamografia ainda vale a pena?

Essa é uma dúvida extremamente comum.

Muitas mulheres acreditam que, depois da colocação das próteses, a mamografia deixa de funcionar ou passa a ser incapaz de detectar um câncer de mama.

Felizmente, isso não é verdade.

O que acontece é um pouco diferente.

A prótese ocupa espaço dentro da mama e pode ocultar parte do tecido mamário nas imagens convencionais. Entretanto, o exame pode ser adaptado para contornar essa dificuldade.

Na mamografia convencional, uma das imagens é obtida com a prótese incluída na compressão da mama.

Já na técnica conhecida como implant displacement (ou manobra de Eklund), o implante é cuidadosamente deslocado para trás enquanto o tecido mamário é trazido para frente, permitindo visualizar uma quantidade muito maior de mama.

Então a prótese dificulta o diagnóstico?

Sim, mas isso não significa que a mamografia deixe de funcionar.

Esse é um ponto importante.

A prótese pode esconder parte do tecido mamário quando a mamografia é realizada da maneira convencional.

Entretanto, justamente por conhecer essa limitação, o radiologista utiliza técnicas específicas para melhorar a visualização da mama.

Na prática, o exame é adaptado para que a maior quantidade possível de tecido mamário possa ser avaliada.


Quem tem silicone precisa avisar antes da mamografia?

Sim. Sempre.

Essa informação permite que a equipe escolha a técnica mais adequada para obter imagens de melhor qualidade.

Também é importante informar:

  • quando a prótese foi colocada;
  • se ela está acima ou abaixo do músculo (caso você saiba);
  • se existe alguma dor ou alteração recente.


O que isso significa para quem pensa em colocar silicone?

A principal mensagem é tranquilizadora.

Colocar próteses mamárias não significa abrir mão do rastreamento do câncer de mama.

É verdade que os implantes podem dificultar parte da avaliação quando se utilizam apenas imagens convencionais, mas a mamografia moderna dispõe de técnicas específicas para minimizar esse problema.

Por isso, mulheres com silicone continuam podendo realizar mamografia e devem seguir as recomendações de rastreamento indicadas pelo seu médico.


Experiência do Dr. Juan Montano

Na prática do Dr. Juan Montano, cirurgião plástico em São Paulo, professor da disciplina de Cirurgia Plástica da Unifesp e pesquisador em medicina baseada em evidências, a saúde das mamas sempre faz parte do planejamento cirúrgico.

Antes da cirurgia de aumento das mamas, é importante avaliar o histórico clínico da paciente e verificar se os exames de imagem estão atualizados quando houver indicação. Da mesma forma, após a colocação das próteses, as pacientes devem continuar realizando o acompanhamento recomendado para sua faixa etária e fatores de risco, sempre informando ao serviço de radiologia que possuem implantes mamários.


Perguntas frequentes


Quem tem silicone pode fazer mamografia?
Sim. A mamografia continua sendo possível e pode ser adaptada com técnicas específicas para melhorar a visualização do tecido mamário.


A prótese esconde o câncer?
Ela pode dificultar a visualização de parte da mama nas imagens convencionais, mas técnicas como o deslocamento do implante aumentam significativamente a capacidade de detectar alterações suspeitas.


A mamografia rompe a prótese?
Não quando realizada de forma correta.


Conclusão

Ter próteses mamárias não significa perder a possibilidade de realizar um rastreamento adequado do câncer de mama. A forma como a mamografia é realizada faz diferença. Técnicas que deslocam o implante para permitir melhor visualização do tecido mamário aumentaram significativamente a capacidade de detectar alterações suspeitas em comparação com as imagens convencionais, além de utilizarem uma dose de radiação discretamente menor. A mensagem prática é simples: quem tem silicone deve continuar fazendo mamografia quando indicada e sempre informar à equipe de radiologia que possui implantes mamários, para que o exame seja realizado da forma mais adequada.


Referência

Eom HJ, Kim HH, Kim SH, Gwon HY, Kim S, Kim HJ, Choi WJ, Chae EY, Shin HJ, Cha JH. Implant-displacement views alone for breast cancer screening in women with implants: a multicenter retrospective study. Eur Radiol. 2026 Jul;36(7):5619-5627. 









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