
Informações para realizar uma cirurgia plástica com o Dr. Juan Montano
O Dr. Juan Montano conta com conteúdos informativos detalhados e confiáveis sobre a realização de cirurgias plásticas.
Kinesio Taping
Kinesio taping é uma técnica que envolve o uso de fitas adesivas que são grudadas na pele para auxiliar na recuperação de uma lesão. A técnica foi desenvolvida pelo quiroprata japonês Kenzo Kase ao procurar um método para ajudar no processo de restauração de tecidos lesionados resultantes de lesões esportivas. Ele foi o responsável por propagar o uso da bandagem elástica e atualmente ela é comumente observada em esportistas e atletas.
No início, Kenso Kase usou as bandagens que já existiam até o momento, porém não ficou satisfeito com o resultado. Percebendo que elas dificultavam a amplitude de movimento, ele produziu sua própria bandagem elástica, chamada Kinesio Tex Tape, juntamente com o método de uso, chamado Kinesio Taping. As fitas Kinesio Tex Tape são elásticas, porosas, adesivas e hipoalergênicas. As fitas podem se apresentar em diferentes cores, porém sua tensão é a mesma.
Com o passar do tempo, o Kinesio Taping começou a ser empregado no pós-operatório de cirurgias plásticas. A finalidade do Kinesio Taping nas ciurgias plásticas é principalmente reduzir as equimoses (roxos), o edema (inchaço), assim como a fibrose. Este método não substitui o uso das cintas modeladoras.
Acredita-se que o uso do Kinesio taping favorece o processo de drenagem devido ao fato de aumentar o espaço entre a pele e o músculo, promovendo a abertura das vias linfáticas e, consequentemente, a melhora da circulação linfática.
Profissional Indicado para realizar o Kinesio Taping
Para empregar o método Kinesio Taping o profissional fisioterapeuta dermatofuncional deverá possuir treinamento especial envolvendo cuidados para não provocar danos à pele/ou danos referentes à função e a mobilidade devido a colocação das fitas adesivas.
Quando Iniciar o Kinesio Taping
O Kinesio Taping pode ser iniciado ainda na sala cirúrgica, assim que se termina a colocação dos curativos. Para isso o profissional fisioterapeuta dermatofuncional deverá estar presente na sala de cirurgia para poder iniciar a aplicação do método. (1)
Caso não seja aplicado na sala cirúrgica após a colocação dos curativos, o Kinesio Taping pode ser iniciado nas primeiras 24 horas ou a partir do terceiro dia pós-cirúrgico, juntamente com as primeiras sessões de drenagem linfática.
Recomendações para o método Kinesio Taping
As fitas de Kinesio Taping podem ser cortadas e aplicadas formando diferentes padrões de figuras.
Quando realizado ao término da cirurgia, após a colocação dos curativos, o Kinesio Taping pode ser feito com a aplicação de taping linfático com o corte “fan” ou “polvo” nas regiões operadas. As bandagens são recortadas em cinco porções diferentes, sendo posicionadas com tensão mínima.
Já nas primeiras 24 horas de pós-operatório, o Kinesio Taping pode ser aplicado usando o corte “web” ou “basket” para fibroses, corte “fan” ou “polvo” para os edemas e corte “hashtag” para as equimoses. As fitas adesivas podem ser mantidas por um período de 3, 5 ou 7 dias, não sendo necessário retirá-las no banho. Recomenda-se um descanso da pele de 1 dia para a próxima aplicação, caso o(a) fisioterapeuta dermatofuncional julgue necessário prosseguir com a utilização do método.
Protocolo de Aplicação
1. Momento de início do taping
Se possível, iniciar o kinesio taping no 1º dia pós-operatório, ou o mais breve possível, após:
- estabilização clínica do paciente;
- liberação pela equipe cirúrgica.
2. Materiais necessários
- Kinesiology tape de algodão
- Largura da fita: 5 cm
- Tesoura limpa
- Gaze
- Limpador neutro para pele (sem enxágue)
3. Avaliação prévia do paciente
- Questionar o paciente sobre histórico de alergias, especialmente a adesivos ou fitas.
- Registrar a informação.
- Em caso de dúvida ou relato prévio de reação cutânea, comunicar a equipe médica antes da aplicação.
4. Preparação do paciente e da pele
- Posicionar o paciente confortavelmente, preferencialmente em decúbito dorsal.
- Higienizar a pele da região abdominal com gaze e limpador neutro.
Garantir que a pele esteja:
- limpa;
- seca;
- sem oleosidade, cremes ou resíduos.
5. Preparo da fita (corte)
- Utilizar fita de 5 cm de largura.
- Cortar em formato de “aranha/polvo (spider)”:
- manter uma base (âncora) de aproximadamente 3 cm;
- realizar cortes longitudinais formando 5 tiras;
- cada tira com cerca de 0,5 cm de largura.
Esse formato aumenta a área de cobertura e potencializa o efeito de drenagem linfática.
6. Técnica de aplicação
6.1 Aplicação lateral (flancos)
- Sempre que possível, solicitar que o paciente eleve o braço do lado a ser tratado, criando pré-tensão cutânea.
- Posicionar a âncora abaixo da linha médio-axilar, inferior ao território linfonodal.
- Aplicar a tira central primeiro, sem tensão, direcionando-a para baixo, acompanhando a linha do músculo oblíquo.
- Aplicar as demais tiras de forma radial, cobrindo: flancos e abdome anterior.
- Garantir tensão zero em todas as tiras.
6.2 Aplicação central abdominal
- Posicionar a âncora no esterno, aproximadamente ao nível da 5ª costela.
- Aplicar a fita para baixo, sem tensão, cobrindo: região do apêndice xifoide; até o umbigo.
- Aplicar tiras radiais ao redor, quando necessário, para ampliar a área de drenagem.
6.3 Técnicas de potencialização do efeito drenante
Quando indicado (edema mais intenso ou pele muito distendida):
realizar manipulação suave da pele (fracionamento manual);
objetivo: criar leve ondulação (“wrinkling”) da pele, favorecendo a drenagem linfática.
Após a manipulação, aplicar a fita sempre com tensão zero.
Evitar qualquer aplicação que gere estiramento excessivo da pele.
7. Tempo de permanência da fita
Manter a fita por 5 a 7 dias, conforme:
- extensão do procedimento;
- intensidade do edema;
- evolução clínica.
Após esse período: remover conforme orientação;
O uso adicional pode ser indicado de forma intermitente ou contínua, a critério médico.
8. Monitoramento e cuidados da equipe
Avaliar diariamente:
- conforto do paciente;
- aderência da fita;
- condição da pele sob a fita.
Observar sinais de alerta:
- hiperemia intensa;
- prurido;
- dor local;
- bolhas ou lesões cutâneas.
Na presença de reação adversa:
- remover imediatamente a fita;
- comunicar a equipe médica;
- registrar.
9. Acompanhamento e ajustes
Reavaliações programadas em:
- semanalmente no primeiro mês;
- 2 meses
- 3 meses
Ajustes possíveis:
- reposicionamento da fita;
- modificação do padrão de aplicação;
- suspensão definitiva do taping, se necessário.
10. Orientações ao paciente
Explicar que o taping:
- auxilia na redução do inchaço,
- não deve causar dor ou ardor.
Orientar o paciente a:
- não tracionar nem remover a fita sem orientação;
- comunicar imediatamente qualquer desconforto ou reação cutânea.
Evidências Científicas do Kinesio Taping
A maior experiência do Kinesio Taping é no tratamento de lesões esportivas. Uma extensa e criteriosa revisão da literatura científica publicada pele renomada organização Cochrane que avaliou o Kinesio Taping concluiu que, para o Kinesio Taping: “a evidência científica para a eficácia do Kinesio Taping parece demonstrar pouco ou nenhum benefício.” (2)
Na cirurgia plástica, ainda há poucos estudos publicados, de baixa evidência científica. (3)



